Setembro 19, 2014

 

 

 

 

significar o osso da coisa queridinha

os enfeites da casa gritam comigo

ombreiras esquadrias agulhas gatinhos da china

decoram as margens do meu amor

o osso

me afundo na tua reminiscência

o osso e as antenas

gritam

como se tudo fosse o grande do tempo

as esquadrias dos óculos gatinhos da china

omoplatas de prata queridinha

o bafo da trilha

a carne da coisa

tão necessária insignificante

na estrutura superfície da aberração amor

 

 

 

 

 

 

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Setembro 17, 2014

 

 

 

 

suicidou-se

ou

suicidou-se com a muita honra

chegar à margem

e

chegar à margem com a canoa em punho

 

uma só vez de saber das

substâncias mais ordinárias

uma só vez de saber dessas

substâncias no mau cheiro da tolerância 

 

a ponta da língua besunta a lâmina

 

 

 

 

 

 

 

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Setembro 16, 2014

 

 

 

 

 

uma mesa que chegasse já com a dança servida

declinar ascender

trotar nascer

até cansar o sangue o palato

 

teus dedões já pisavam a carne antes

do banquete do sol da vela da fumaça

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Setembro 16, 2014
 
 
 
na clarividência da palma a cara do cavalo carinhoso: hão de vir as coruscantes pequeníssimas tragédias disso. entenda entenda o sebo. o sebo é condutor. 
 
 
 
 
 
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na clarividência da palma a cara do cavalo carinhoso: hão de vir as coruscantes pequeníssimas tragédias disso. entenda entenda o sebo. o sebo é condutor.

 

 

 

 

 

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Setembro 13, 2014

 

 

 

conversamos

te amo e nunca te ensaboei as orelhas

ligamos xícaras orelhas ursos minutos

porfiam fios de ovos

ligamos pintas estrelas bocas horas

conversamos e nunca te traí aos polos

ainda caminho e é tão claro que conversamos até

onde caminha aquela ladainha ancestral

 

 

 

 

 

 

 

 

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Setembro 12, 2014
ninguém vai poder dizer que eu não disse – leva um procê

ninguém vai poder dizer que eu não disse – leva um procê

 

#

é uma pausa difícil de ocupar
(pequeníssima e horrenda a cor)

arrimo meus seios na mesinha de centro
arrimo o coração e umas brechas secretas que guardei enquanto você não olhava

 

#

quero um coelho, amendocrem (muitos preferem nutella) pra treze mil anos, uma bicicleta do tamanho da cabeça de um alfinete, uma piscadela daquela criaturinha ali, um trago da tua grapa e, quando houver espaço, quero morrer (muitos preferem viver muito) um bocadinho só.

 

#

fico repousando a cara sobre o teu perfil. fico repousando a carla fico repousando a malha das coisas que quero escrever e não escrevo nunca porque a maré porque o vendedor de espelhos porque eu preciso porque eu pretendo e fico. uma tarde e meia. é o tempo que tenho desde que lancei meu corpo ao caldo disso. aguarda um jardim de abóboras a lírica chafariz enquanto eu te gosto e tanto.

 

#

aguarda um jardim de abóboras a lírica chafariz enquanto eu te gosto e tanto.

 

#

a esta hora ela estará cuspindo as espinhas do peixe que eu colhi, descasquei e cozi. ou estará cuspindo a bola de pelos que é o gato que comeu as espinhas do peixe que eu colhi, descasquei e cozi. de qualquer forma fiz com amor e algum interesse. como são ilegíveis os gatos. descascáveis os peixes. adulável cavala essa mulher.

 

#

não paro de chorar não 
paro de chorar
deram-me espaço e não paro de chorar
abro no espaço esta lata de atum
só pra você 
e não paro de chorar
deus é um gato fugido no escuro ou eu sou a que mia e você a que vê e não faz nada
mal pisca escreve e chora
mal pisca deram-te ao espaço, fulaninha
fulaninha ao espaço

 

#

chama de longe
vê-me aqui
CLÁSPER! CLÁSPER!
minhas pernas
minha boca
ergométrica grita
chama ao longe eu sei
CLAS PEEEER DIABOV!
parece praga
e corresponde à chamada
lambe a pata e sabe que eu estou chegando
CLÁSPER!
através
mas chego
CLAS!

 

#

e de novo e mais essa vez bom dia não corresponde ao beijo na sola do dia. onde pisará o meu amor?

 

#

é tão bonito ter sono e bem esse sono onde eu fico te cheirando 
nunca te vi e tenho esse sono

 

#

queria alguém com cara de gênio
um homem uma mulher uma mula com cara de gênio
não
é
não
queria alguém com pés geniais
quero dançar
quereríamos dançar e ver as caras
das gentes e mulas com cara de gênio por aí
paradinhos feito postes
e eu e meu amor de pés geniais
quereríamos paçocas aos montes
eu meu amor e Elvis
quereríamos Elvis nas orelhas e nas bocas
poesia o caralho
Elvis, paçoca e uma pista quadriculada

 

#

amor é foda. diga isso e saia correndo. imagine só uma saia correndo solta por aí.

 

#

persigo a égua-da-noite desde uns nomes que não digo para que fiquem
se eu disser somem todos com a mágoa de alguém que não estará entre os nomes alguém que nem soa como nome apenas
pois bem
persigo a égua-da-noite porque é hora de suar morder trotar fugir ou ficar e copular 
é hora de sonhar que estou caindo e não sei gritar a não ser que eu morra mas a essa altura e com a crina na boca
não sei
talvez haja mesmo aquele punhal num dos bolsos d’égua

 

#

morri mentindo nunca vi uma baleia vomitar e nunca vi uma baleia encalhada
nunca vi pitomba e nunca aprendi aquilo que o Gracinha amimou nas pitombas
hoje amarrei cedo os cadarços e corri morrer antes que os primeiros coelhos da manhã passante façam semana delongueira

 

#

e agora o domingo. deliberadamente. deliberadamente é o domingo. dia vagão.

 

#

tem tanta coisa COISA MESMO que machuca mas que reconstrói a pele. estou machucada. mas me sinto outra, uma antiga, cafona até, mas eu: seguramente eu. livre. chacoalhada da areia. nova cafona na onda super vibe tieta do agreste lua cheia de ser tão.

 

#

minha boca não segue uns meus pensamentos que nem uma laranja não segue o suco de gentes na ladeira
samba menina feia
samba menina feinha linda sambando que nem garça atrás da laranja que nem graça de deus descendo a ladeira
desce gracinha desce chão chão chão

 

#

Não vos torneis levianos com o frango dos outros,
nem aceiteis que o sejam com o vosso.

Baz Luhrmann é o autor dessa frase que, originalmente, tem a palavra coração no lugar da palavra frango.

 

#

desesculpida pela boca a palavra fica mais bruta na orelha crua cheia de cera de abelha jataí 
é feito um pequeníssimo tubo e por lá
o desfabricamento da madeiragem da palavra
mas só para os amantes do adjetivo escondido no cravo alheio
aperta aperta e arreda firulinhas em espiral
que alívio nas profundezas, no rabo e nos negócios bazarianos
cheiro de papelaria de cidade mínima
hum
agora é só mel para os dialéticos

 

#

I want to be normal.
I want to be Norman.
I want to be Manson.
I want to be Marilyn.
I want to be alone.
I want to be alone with my puppy.

 

#

a caldeira em seu estado original, trincada a ouro, fervendo bebês e beterrabas. queria beirar de ser caldeira. por um dia, esse trem, claro, num vagão que fosse.

 

#

pinça SF. homem formado de duas hastes marchando desesperos ao nada.

 

#

é a fricção de uma palavra na outra que faz 
o xaxado virar chapéu. espia:
passarinhurgente
massaricornitólogo
e debaixo da bunda ainda há um banco, veja só, que bondade do acaso.

 

#

cresce entre a palavra sanidade e a palavra sangue uma boca sem dentes, uma cavidade sem língua, um dialeto sem punho. e como é lindo, meu deus.

 

#

muita gente diz liberdade quando a coisa que deseja ser dita é liberdade, que é uma coisa, não uma vocalidade. a respiração é o fundo e no fundo da coisa liberdade espirra. que nem gato com gripe. que nem gato sem gripe. o mesmo acontece com a coragem. como diz a Julia Lemmertz, é emocionante.

 

#

há esse emporcalhamento nos vermelhos

e por ali não pode a passagem

estar no controle do que me for branco

me interessa muito, Anúbis

 

#

virá e reinventará a máquina que faz viagens nos beiços.

 

#

e eu deveria rir sob a copa dos teus cabelos
e eu deveria ir
e o passo resiste à memória
ai ai as cores que nunca me concerniram 
não sou digna e por isso fico
e o passo resiste à oratória

 

#

viver não pode incomodar a pele, importunar a gengiva, isso não é vida. isso não é vida. mas faz cócegas e ri.

 

#

nenhuma maneira de dizer aos poucos
aos poucos se diz de nenhuma maneira
quero me amanteigar em alguém

 

#

não tiro da boca a palavra enguia
não tido da boca o choque da primeira vez que meti na boca a enguia dita maldita
(AMÁLGAMA em polvorosa)
eu preciso me misturar a alguém

 

 

 

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Setembro 11, 2014

 

 

 

 

não não

há algo de muito errado aqui

comparece-se ao próprio rosto de

forma cubista

dá-se ao convívio com os outros

esse ar estranhoso necessário

planta-se uma desconfiança enormemente bonita

e tudo fica claro

repentino e claro

e tudo fica portuário

não vivemos aqui

é tão óbvio está posta a mesa há milênios

não não

há algo de muito conceituoso aqui

há algo de muito cascalhoso

algo de muito talco nesse sarau

 

 

 

 

 

 

 

 

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Setembro 10, 2014

 

 

 

alinhar um beijinho ao horizonte

mas de qual orla estamos a tagarelar?

como com os teus óculos na cabeceira

a faca ao lado da manteiga

a manteigueira junto de sua tampa

não sei de qual raio falo

da orientação quero render detrimentos vários

vês minha cara de oliva na faca?

alinhar um beijinho ao horizonte?

quanto custa?

como com os teus óleos na cabeceira

como com os teus crédulos grampos de osso na penteadeira

vês minha cara de baleia?

detrimento em curso vencido

vês minha cara de atalho?

vês minha cara de babugem? diga depressa BA BU GEM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Setembro 10, 2014
 
 
 
sua boca. sua boca. sua boca. você não para de falar dela.
 
 
 
 
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Setembro 9, 2014
 
 
no trinco de um poema do apetitoso Ossip Mandelstam
traga-se                               
METADE DO CÉU É USAR BOTAS DE INVERNO
 
trabalham as botas para que o estrondo da
tragada seja pelo menos meia boca
um pregador inteiro na língua
 
bom dia e metade do dia é usar palavras de prego
 
 
 
 
 
 
 
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no trinco de um poema do apetitoso Ossip Mandelstam

traga-se                              

METADE DO CÉU É USAR BOTAS DE INVERNO

 

trabalham as botas para que o estrondo da

tragada seja pelo menos meia boca

um pregador inteiro na língua

 

bom dia e metade do dia é usar palavras de prego

 

 

 

 

 

 

 

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Setembro 8, 2014
 
 
 
 
na vez do anel o dedo dentro da minha boca
em qual língua se diz menos graciosamente isso?
 
 
 
 
 
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em qual língua se diz menos graciosamente isso?

 

 

 

 

 

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Setembro 8, 2014
 
 
 
na fealdade dumas azeitonas
há poucos bolsos vazios
há muita viuvez solteira na espreita
a feira livre é uma brecha no tempo das redes sociais
 
 
 
 
 
 
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na fealdade dumas azeitonas

há poucos bolsos vazios

há muita viuvez solteira na espreita

a feira livre é uma brecha no tempo das redes sociais

 

 

 

 

 

 

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Setembro 8, 2014

 

 

 

 

pelo gesto pela roupa pela chama

não me emboco

troco os santos de lugar

o fogão corre a sala faz

o quarto mais marmita

não bato com ninguém

daí faltar you na imagem

sou suja daí faltar you

eu nunca mais vou escrever

sou suja o fogão corre deixo

os pés no tapetinho da manhã

acordo com cara de mina de carvão

escrava dessa criança 

sou suja a mina do carvão

não bato com ninguém e o fogão corre

pelo gesto pela lomba pela cintura eu

nunca mais vou chorar dentro das mãos 

 

se queimar o dedo lambe

conselho de mãe daí faltar you

ou esfrega na franja, criança

 

 

 

 

 

 

 

 

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Setembro 7, 2014

 

 

 

um

só um dos meus todos ossos

Luciana

trabalhava por ti

ritmava fazia desenho atitude amplidão

desenho e luz colocação de sol

voa gracinha risca

não há harpa para morrer de luz

e a nós nos habituamos

morsas que somos

o pescador junto ao mastro

não fazia mais que o dever se ser

asa de homem

asa de mundo

asa de ser

livrão aberto molhando mundaréu

asa de cruz, Luciana

blim blaum

asa de cruz

 

 

 

 

 

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Setembro 6, 2014
 
 
 
 
em tempos de talco
como pode o peixe senão na boca?
é ser da máxima a sua medida
há sempre essa cláusula no amor
em tempos de talco
como pode o peixe?
 
 
 
 
 
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em tempos de talco

como pode o peixe senão na boca?

é ser da máxima a sua medida

há sempre essa cláusula no amor

em tempos de talco

como pode o peixe?

 

 

 

 

 

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